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Violência contra a mulher: Princesas da Disney não são poupadas em Campanha

Ilustradores usam personagens para estimular as denúncias sobre casos de abuso contra a mulher

Wow, a fórmula é manjada: ao final de uma longa aventura, a bela princesa tem sua redenção ao ser salva por um heroico príncipe. Tão antigas quanto essas histórias são as trágicas consequências do machismo que assola o mundo. Por isso, alguns artistas têm se empenhado em subverter os contos de fadas, numa espécie de alerta para uma realidade em que o “felizes para sempre” não é regra.

Contra a Violência Doméstica

Para encorajar as vítimas de violência doméstica a denunciarem seus agressores, o artista Saint Hoax criou uma campanha diferente. As princesas da Disney, comumente percebidas como mulheres ideais num mundo onde todos são felizes para sempre, foram desenhadas com seus rostos machucados.

Campanha “Happy Never After”, do artista Saint Hoax, usa imagens de princesas da Disney machucadas com o objetivo de conscientizar pessoas sobre a violência doméstica

Sobrou também para a mulher de Aladin, Jasmine. Foto: Saint Hoax

A ideia, segundo informações do Huffington Post, é mostrar que nenhuma mulher está a salvo de ser abusada emocionalmente, fisicamente ou sexualmente. A campanha recebeu o nome de “Happy Never After” e o slogan “Quando foi que ele parou de tratar você como uma princesa?“.

Contra o Abuso Sexual

Essa foi a ideia de um artista do Oriente Médio que usa o pseudômino Saint Hoax. Ele é especializado em cultura pop e, em duas séries diferentes, colocou princesas da Disney em situações nada encantadas. Na primeira delas, personagens como Ariel, de “A pequena sereia”, e Cinderela são beijadas pelos seus próprios pais. O mote era chamar atenção para o abuso sexual contra crianças.

A ideia surgiu quando ele descobriu que uma amiga sua foi violentada pelo próprio pai quando tinha apenas sete anos de idade. A escolha pelas princesas da Disney foi pensada para atingir o público-alvo da campanha.

 

Nesta campanha, Saint Hoax critica o abuso sexual
Chamada de Princest Diares, a campanha mostra Aurora (de A Bela Adormecida), Ariel (de A Pequena Sereia) e Jasmine (de Aladin) são mostradas sendo beijadas a força por seus pais com expressões de terror e surpresa.

Também está nos cartazes a informação de que 46% dos menores que são estuprados são vítimas de membros da família.

Meu objetivo é incentivar as vítimas a denunciarem seus casos para que as autoridades possam impedir que isso aconteça novamente — afirma ele em seu site.

Varinhas Super resistentes da Saga Harry Potter 😉

Que tipo de homem é você?

Uma criação semelhante também foi realizada pelo artista e ativista italiano aleXsandro Palombo. Em sua versão, as personagens aparecem machucadas, ao lado de seus respectivos príncipes.

Branca de Neve, Margie Simpson, Mulher-Maravilha e Olivia Palito são alguns do cartoons retratados

“Que tipo de homem é você?”, questiona a campanha, que traz personagens como Branca de NeveMargie SimpsonMulher-MaravilhaOlivia Palito e outras feridas e subjugadas por seus pares.

A violência doméstica é um problema tão comum que qualquer pessoa pode ser vítima ou causador. Isso pode estar na rotina até mesmo de casais que parecem normais — comentou Palombo.

A Importância das Campanhas de Conscientização

Para a diretora-executiva da Associação Mulheres pela Paz, Vera Vieira, trabalhos como esses têm grande valor, justamente porque mexem com um forte símbolo da sociedade machista, a mulher frágil e dependente de seu parceiro, muitas vezes, representada por princesas em contos de fadas:

Histórias infantis reforçam os estereótipos sexistas, que perpetuam as desigualdades de gênero, trazendo sérias consequências para toda a sociedade. Além do “felizes para sempre”, mostram a mulher sensível e fragilizada. O homem é sempre o herói e salvador da pátria. Tudo muito diferente da realidade.

Ela lembra que a violência contra a mulher ainda é aceita culturalmente e vem sendo mantida historicamente há milênios. Só no Brasil, a cada quatro minutos uma mulher sofre algum tipo de agressão. Nos últimos dez anos, 43 mil foram assassinadas em crimes de gênero.

Tempos de reflexão

Para a pedagoga Schuma Schumaher, coordenadora da campanha “Quem ama abraça — Fazendo escola pelo fim da violência contra as mulheres”, essas criações aparecem num momento em que as pessoas começam a repensar a natureza de alguns contos de fadas. Por isso ela acredita que, apesar de as montagens não serem diretamente voltadas ao público infantil, podem levar os adultos a refletirem sobre o que está por trás de tais livros. Dessa forma, o resultado pode se refletir, indiretamente, na educação das crianças.

O italiano aleXsandro Palombo ironiza as aparências

Quem apresenta essas histórias às crianças são os adultos. E acho que, muitas vezes, eles não têm muita consciência e senso crítico para fazer uma análise dos conteúdos — Schuma afirma. — Espero que trabalhos como esses incentivem as empresas a rever suas histórias e estimulem pais e educadores a terem mais cuidado na indicação de livros. Não estamos mais na idade da pedra, mas, sim, num mundo marcado pela busca incessante de relações mais igualitárias.

Para denunciar, Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher.

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